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[29/01 19:19]
ULCERA PÉPTICA
 
A Úlcera Péptica trata-se de uma lesão escavada, geralmente solitária e crônica, que se forma na mucosa esôfago-gastrointestinal como resultado de digestão ácido péptica destes tecidos. Sua ocorrência é freqüente, podendo afetar até de 5-10% da população. A úlcera duodenal é mais freqüente que a gástrica e geralmente homens são mais acometidos que mulheres, as quais apresentam uma elevação da freqüência após a menopausa. A doença ocorre como conseqüência de desequilíbrio entre defesa da mucosa e reação agressiva do suco gástrico, sendo que na maioria dos casos a úlcera gástrica parece decorrer da queda de defesa da mucosa e a úlcera duodenal de um aumento da agressão. Os tipos que se apresentam da doença são:

a) Úlcera Duodenal, que ocorre em indivíduos que possuem uma maior produção de ácido gástrico, seja em níveis basais quando sob efeito de substâncias que promovem estímulo para secreção ácida, o que pode estar relacionado com:
1.Maior número de células parietais.
2.Maior sensibilidade das células parietais à gastrina.
3.Hipergastrinemia (aumento da secreção de gastrina)
4.Defeitos dos mecanismos inibidores da secreção de gastrina.
5.H. pylori, que tem efeito estimulador da produção de gastrina.
O H. pylori tem forte ação ureásica com produção de amônia e alcalinização do pH. Segundo alguns estudos, o desequilíbrio funcional das células G poderia ocorrer em virtude da inibição das células D. Segundo outros autores a hipergastrinemia dependeria somente da gastrite Antral, não estando relacionada à bactéria. Ocorre metaplasia gástrica do epitélio intestinal, geralmente em focos, o que seria produzido por contato prolongado entre mucosa intestinal e suco gástrico. Além disto, outros fatores parecem colaborar para o aparecimento da úlcera, como os fatores genéticos, fatores psicossomáticos, tabagismo, álcool e drogas.

b) Úlcera Gástrica, que também depende da ação do ácido e da pepsina para sua formação. O papel do H. pylori em sua gênese e controvertido, admitindo-se a hipótese de liberação de citotoxinas bacterianas como fator causal ou causando clivagem de glicoproteínas do muco gástrico ou ainda pela ação da amônia e seu efeito citopático. Outras de causa deste tipo de úlcera seria a exposição da mucosas a agentes externos como aspirina, antiinflamatórios, álcool e outras drogas. Também a redução local do fluxo sangüíneo da mucosa e o refluxo do conteúdo duodenal poderiam influir. As formações ulcerosas geralmente são isoladas, formando uma lesão arredondada ou ovalada, com diâmetro em torno de 0,5 ou 2,0 cm, com bordas regulares, pouco elevadas, tendendo a se afunilarem à medida que se aprofundam na parede do estômago ou intestino. O fundo pode ser limpo ou recoberto por material necrosado esbranquiçado, tecido de granulação avermelhado ou por tecido fibroso.
Além das causas mais comuns, como os antinflamatórios não hormonais e helicobacter pylori, as úlceras podem estar relacionadas com outras doenças como insuficiência renal crônica, litíase urinária, cirrose hepática, DPOC, hiperparatireoidismo, deficiência de alfa-1antitripsina, mastocitose sistêmica, imunodepressão, toxoplasmose, citomegalovirose, sífilis, tuberculose, doença de Crohn, stress agudo, uso de ventilação mecânica em UTI, choque, coagulopatias, grandes queimados.

Anatomicamente pode ser classificada como:
-Superficial, que atinge até a submucosa.
-Profunda, que atinge a camada muscular própria ou até a serosa do estômago ou duodeno.
-Perfurante, quando ultrapassa todas as camadas da parede e se abre na cavidade peritoneal.
-Penetrante, quando ultrapassa todas as camadas, mas fica tamponada por órgãos vizinhos.
-Calosa, aquela que é caracterizada pela proliferação exuberante de tecido conjuntivo fibroso nas bordas e no fundo da úlcera.
A neoformação conjuntiva protege contra a perfuração mais ao mesmo tempo, pode provocar deformação ou estenose do órgão ou semi-obstrução da luz.

Conforme a observação histológica microscópica, pode ser:
- Úlcera péptica ativa: camada de tecido necrótico, geralmente fibrinóide, presente no fundo da lesão (sinal da digestão ácido péptica); camada de exsudato celular com predomínio de neutrófilos; camada constituída predominantemente por tecido de granulação; camada de tecido fibroso cicatricial.
- Úlcera Péptica Inativa: necrose escassa, exsudato de neutrófilos é discreto, podendo formar grande camada fibrosa.
As Úlceras Pépticas podem promover diversas complicações, onde a hemorragia é a mais comum, fazendo hematêmese ou melena de variadas proporções; pode ocorrer perfuração com formação de aderências através da peritonite; pode estreitar (estenose) o diâmetro do órgão afetado e deformá-lo; algumas formas podem sofrer processo de malignização. ...

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