15052004
Quem sou, o que desejo, para onde vou e o que sinto?
Quem sou: Penso ser três, ou será que serei como uma árvore de muitos ramos? Uns bonitos rebentos, outros completamente nus, nus de beleza, de brilho, enfim, sem vida. Um inverno tão agreste como nunca vi, porque para ver não basta ter a graça da visão, é preciso ter o nobre sentimento dos a quem Deus lhes tirou o dom da visão. Perdõem-me os nobres seres privados da visão, das cores exuberantes deste aparadisiaco paraíso. Sou cego, porque não procuro ver diáriamente o arco-íris, quando ele se me revela, passa-me tão desapercebido como se não passa-se de mais uma gota no oceano. Sou pobre por querer ser cego.
O que quero: Haaa... , era a verdadeira felicidade. Naquele estado virgem de natureza pura, queria nunca abrir os olhos, o conforto inigualavél da experiência de sentir o despertar do chilriar dos pássaros, levantar-me do meu doce ninho de amor, debruçar-me sobre aquela por quem sou capaz de eféctuar as maiores destrezas do infinito universo e enalar até aos pulmões não mais aguentar, a sua essiência afrodisiaca. Saciado esse prazer, transpondo a porta do quarto para a sala, olhando, sentindo e relembrando aquela felpuda e aconchegante carpete, em frente à lareira, de que se ela tivesse boca, muitos prazeres contaria. A sensação teria de missão comprida. Chegando à porta da cabana, de madeira construida, abrindo-a para que o orvalho da manhã me a cara lava-se, admirando a montanha de neve coberta, voltou a fazer sentir-me vivo para recuar à noite para tudo começar.
Para onde vou: Pobre de espirito todo aquele a que lhe é permitido a felicidade acima descrita e ainda anda perdido pelo mundo das almas que não encontram o norte. Perdido não pela fuga da oriêntação, mas pela âmbição da corrupção, exploração, prostutuição e muitas outras coisas com a terminação em " ão " ...Ladrão.
O que sinto: Lamento, mas estou inibido de ter sentimentos. A mim só me resta o livre arbitrio, que o árbitro da nação tenta manipular. Esse árbitro, arbitrário, esse pobre coitado, esse ser vazio, julga-se o segundo cristo. Coitado, está ali para servir o povo, sacrifica-se pelo povo e o maior sacreficio dele é subtrair o suor do povo. Porque não faz ele como cristo? Que vá para a guerra e morra pelo povo. ( Dispensa-se a ressurreição ao terceiro dia. )
José Amaro